O projeto Elas no Setor parte do compromisso com a ciência aberta e com a democratização do conhecimento como estratégia para fortalecer a cidadania e os direitos das mulheres em situação de vulnerabilidade. Ao disponibilizar conteúdos acessíveis, dados organizados e ferramentas digitais de uso público, o projeto atua na interseção entre pesquisa científica, justiça social e transformação digital.
As ações desenvolvidas buscam contribuir para a formação de redes de cuidado mais qualificadas e conectadas à realidade de mulheres que enfrentam múltiplas formas de desigualdade. Acreditamos que a informação, quando aberta, confiável e situada, pode ser uma ponte para o empoderamento e para políticas públicas mais eficazes.
A ciência aberta, ao promover o acesso ampliado e responsável ao conhecimento científico, se apresenta como uma estratégia fundamental para a proteção dos direitos humanos e a redução das desigualdades de gênero. Em contextos marcados por exclusões históricas, especialmente para mulheres negras, periféricas, imigrantes, indígenas, LGBTQIA+ e com deficiência, a informação confiável e acessível pode representar um ponto de virada: conhecer direitos, identificar redes de apoio e acessar canais de denúncia se torna uma ferramenta concreta de autonomia e segurança.
Mais do que disponibilizar dados, a ciência aberta valoriza a transparência dos processos de produção do conhecimento, a colaboração entre diferentes setores e a participação ativa da sociedade na construção das soluções. Quando aplicada a políticas públicas voltadas às mulheres, essa abordagem favorece o fortalecimento das redes de apoio, a melhoria do atendimento nos serviços públicos e a ampliação das vozes que historicamente foram silenciadas. A informação deixa de ser um privilégio e passa a ser instrumento de empoderamento.
Para que isso seja possível, é preciso garantir inclusão digital, formatos acessíveis e linguagem sensível às diversas realidades. Plataformas tecnológicas baseadas em software livre, repositórios de acesso aberto, mapeamentos georreferenciados e conteúdos educativos são exemplos de como o conhecimento pode ser compartilhado com responsabilidade e utilidade prática. Além disso, a ciência aberta cria espaços de escuta e troca, onde experiências vividas por mulheres em situação de violência se tornam parte legítima do processo de formulação de políticas e estratégias de cuidado.
Ao reconhecer a informação como um direito e o conhecimento como bem comum, a ciência aberta se consolida como aliada na luta contra a violência de gênero. Ela amplia o alcance das ações institucionais, contribui para políticas mais justas e fortalece a participação ativa das mulheres na construção de soluções para suas próprias vidas.
A execução do projeto foi organizada em três grandes eixos temáticos: Conteúdo, responsável pelos estudos diagnósticos e revisão teórica sobre violência de gênero; Tecnologias, voltado ao desenvolvimento de soluções digitais para ampliar o acesso à informação; e Acolhimento, que mapeou práticas interdisciplinares de cuidado e propôs metodologias para a formação complementar da rede de atendimento. Essa estrutura garantiu coerência metodológica e integrou ações de pesquisa, desenvolvimento e formação em uma única estratégia voltada ao empoderamento e à inclusão.
Convidamos você a acessar gratuitamente a publicação Elas no Setor: Empoderamento e Inclusão Digital, que apresenta os resultados dessa trajetória e oferece subsídios concretos para fortalecer políticas públicas e iniciativas voltadas à proteção das mulheres em situação de vulnerabilidade.
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